Agora, um desabafo.
Eu, Igor Flautista Rodrigues, assim como mais de 80% da população, estudei por toda a vida em escola pública. Nela, jamais aprendi uma nota dó que fosse!
Em resumo: sou músico por milagre...
Comecei a me interessar por Música quando, aos 11 anos, ganhei de presente do Dia das Crianças uma flauta de brinquedo, daquelas de plástico barato. Me lembro até hoje: era uma flauta verde, rústica, com uma carta de tablaturas ensinando algumas melodias famosas. Tempos depois, já sabendo tocar alguma coisa, ingressei em uma associação cultural que havia na cidade, onde recebi uma flauta doce Yamaha estudantil. Direcionei minha dedicação e inteligência ao estudo de Música, o que me levou, em um curto período, a saber ler partitura com relativa fluência e tocar músicas mais complexas.
E a escola? Bem, na escola, seguia aprendendo as tradicionais Revoluções Francesas, Trigonometrias e Verbos To Be...
De acordo com a Lei nº 11.769 / 2008, o ensino de Música é obrigatório no ensino básico. Ora, comigo falharam miseravelmente na execução da lei.
O que falta para termos aulas de Música nas escolas públicas? Estrutura adequada? Salas com isolamento acústico? Instrumentos musicais? Professores qualificados?
Dinheiro é que não falta!!!
Instrumentos musicalizadores como a flauta doce, o Pipiruí, a escaleta, vão estourar tanto assim as verbas públicas? Será que a compra massiva de instrumentos para os alunos vai ser assim, tão calamitosa?
O ensino de Música traz benefícios diversos: aplicação prática da Matemática e da Física, desenvolvimento pessoal e cognitivo, uso da lógica, redução do estresse, uso da memória, desenvolvimento de neuroplasticidade, uso do foco. Mas claro: investir em algo que amplie a inteligência das massas é perigoso. Melhor deixar como está.
O brasileiro e a brasileira, que já nascem magistrados, adoram julgar o Funk, o Sertanejo e outras manifestações musicais contemporâneas. Falta agora julgarem o descumprimento da lei, afinal, como querem "música boa" se não há educação para isso?
Enquanto isso, tenho fé que, um dia, encontrarei na vida alguma utilidade para a fórmula de Bhaskara...