As flautas doces possuem uma tessitura de duas oitavas e uma terça menor. A flauta doce soprano toca as notas entre o dó5 e o ré7. A flauta doce contralto, por sua vez, vai do fá4 ao sol6. Convencionalmente, as partituras para flauta doce soprano são escritas uma oitava abaixo da altura real (pequeno 8 sobre a clave), para evitar o uso excessivo de linhas e espaços complementares. A flauta doce contralto, em geral, possui partituras em altura real. Isso causa a impressão de que, na partitura, a flauta doce soprano possui notas mais graves que a contralto.
Ambos os instrumentos, com efeito, compartilham na prática um âmbito em comum, entre as notas dó5 e sol6. Melodias dentro deste âmbito podem ser tocadas, em igual altura, nas duas flautas; na partitura, porém, parecerá que estão em alturas diferentes.
As flautas doces contralto e soprano, dadas suas escritas, compartilham em teoria um âmbito, entre as notas fá e sol (uma nona acima). que figuram na mesma altura, mas na prática soam em alturas diferentes.
Uma prática comum na Idade Média era tocar em intervalos de quinta. Como as flautas doces soprano e contralto possuem esse intervalo de diferença de altura, na prática, ao tocar com esta técnica, ambas utilizarão em simultâneo as mesmas digitações, mas cada uma soará em um tom.
A mesma lógica aqui apresentada se aplica entre as flautas doces tenor e baixo.
Música: Boi da Cara Preta - folclore do Brasil.